Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Posição dos Professores Avaliadores da Escola Secundária D. Manuel Martins (Setúbal)

Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro
Exma. Senhora Ministra da Educação
Exmos. Senhores do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores
Exmo. Senhor Presidente do Conselho Executivo da Escola Sec. Dom Manuel Martins
Exmos. Senhores do Conselho Pedagógico da Escola Sec. Dom Manuel Martins
Exmos. Senhores da Comissão de Coordenação de Avaliação do Desempenho da Escola Sec. Dom Manuel Martins
 
Os professores avaliadores da Escola Secundária Dom Manuel Martins, reunidos no dia 28 de Outubro de 2008, vêm declarar o seu profundo desacordo perante o modelo de avaliação do desempenho dos professores, introduzido pelo Dec. Regulamentar nº2/2008.
 
Não questionando a importância da avaliação dos professores, como instrumento conducente à valorização das suas práticas docentes, considera-se que essa mesma avaliação é um assunto sério e que deve resultar de uma ampla, profunda e séria discussão, no sentido de fomentar a qualidade do ensino e o prestígio da escola.
 
Assim, os professores avaliadores desta escola consideram que:
1. Ao longo dos anos, várias foram as políticas educativas de sucessivos governos, nunca daí resultando uma avaliação nem uma consolidação dessas mesmas políticas.
 
2. Não tem crédito um modelo de avaliação cujos avaliadores não têm competência para avaliar os seus pares, seja porque não tiveram formação ou tiveram-na tardiamente e de forma insuficiente, seja porque têm de avaliar professores de uma área científica completamente diferente da sua (uma professora de Biologia avalia o grupo de Informática, uma professora de Português avalia outra de Inglês, etc), ou ainda porque não têm experiência em supervisão.
 
3. Não é credível um modelo de avaliação onde alguns avaliadores têm formação científico-pedagógica inferior à dos seus avaliados.
 
4. O critério para ser avaliador é ser professor titular. Todos sabemos que a diferença entre professor e professor titular é que este último teve alguns cargos nos últimos sete anos. Todos sabemos que esta diferença é artificial e gratuita, pois valoriza apenas os cargos desempenhados, como se todo um passado de longos anos dedicados ao ensino não contasse para nada.
 
5. Este modelo de avaliação é parcial e subjectivo, injusto e gerador de desigualdades e está a pôr em causa as relações de cooperação, partilha e cordialidade que sempre existiram entre a classe docente, pois fomenta a competitividade e o individualismo.
6. Não é justa a imposição de quotas na atribuição das menções qualitativas de Muito Bom e Excelente, pois condiciona, à partida, os resultados da avaliação e compromete a sua legitimidade.
 
7. Este modelo de avaliação penaliza os professores na obtenção de Muito Bom ou de Excelente, pelo uso de direitos constitucionalmente protegidos como a maternidade/paternidade, doença, nojo, cumprimento de obrigações legais, entre outros.
8. As trinta e cinco horas semanais estabelecidas pelo Dec. Lei nº15/2007 de 19 de Janeiro são um mito. Todos os professores ultrapassam largamente essas horas uma vez que o trabalho do professor começa em casa, continua na escola e termina em casa. É em casa que o professor planifica as aulas, prepara os materiais pedagógicos, elabora e corrige os trabalhos realizados pelos alunos (no mínimo 3/4 turmas), investe na sua formação e investigação.
 
9. Os professores não podem ser os únicos culpados pelo insucesso dos alunos. Só eles sabem em que condições muitas crianças vêm para a escola (com fome, já com algumas horas de trabalho, com situações familiares completamente desestruturadas, entre outras). Não são raras as situações em que os pais/encarregados de educação obrigam os filhos a sair da escola para ir trabalhar, pois é uma forma de contribuir para o sustento da família.
10. No início do ano lectivo, os professores não são capazes de prever quantos alunos vão reprovar ou abandonar a escola.
 
11. Os professores que leccionam turmas com situações problemáticas e com dificuldades de aprendizagem são discriminados, já que lhes é imputada a responsabilidade individual pela avaliação dos alunos.
 
12. Todo o processo da avaliação dos professores é excessivamente burocrático. Destacam-se algumas tarefas obrigatórias inerentes ao processo que todos os professores têm que realizar:
 
a) Preenchimento de um documento com as metas e objectivos do grupo disciplinar;
 
b) Preenchimento da ficha dos objectivos individuais, onde cada professor tem que prever quantos alunos vai passar no final do ano lectivo, quantos alunos vão desistir da escola (como se o professor pudesse prever e controlar tal situação), em quantas actividades vai participar e quantos alunos conseguirá motivar para participar nas actividades da escola, entre outras;
 
c) Preenchimento da ficha de auto-avaliação;
 
d) Elaboração de um portefólio;
 
e) Inúmeras reuniões entre os avaliadores e os avaliados.
 
13. Para os avaliadores, o processo não é menos penoso:
a) Orientar/participar/realizar reuniões de grupo, departamento, conselho pedagógico, reuniões de avaliadores, reuniões com os avaliados, reuniões com o Presidente do Conselho Executivo na qualidade de avaliador;
 
b) Preencher várias grelhas:
- metas e objectivos do grupo/departamento;
- os seus objectivos individuais (ele também é avaliado);
- três fichas de verificação das aulas assistidas, por cada professor avaliado;
- três fichas de verificação do portefólio, por cada professor avaliado;
- três fichas de registo de elementos, por cada professor avaliado;
- uma ficha de avaliação do Ministério da Educação, por cada professor avaliado;
- a sua ficha de auto-avaliação;
- elaboração do seu portefólio (ele também é avaliado);
- assistir às aulas dos seus avaliados (o avaliador pode ter até onze professores para avaliar; este ano tem que assistir a três aulas de cada um);
- preenchimento on-line da avaliação dos professores avaliados;
 
14. Os avaliadores não são só avaliadores. Os avaliadores têm 4/5/6 turmas, são, na sua maioria, coordenadores de departamento e sub-coordenadores de departamento, tendo à sua responsabilidade as tarefas inerentes ao cargo, para além das de avaliador. Não é possível resistir a tanto. Esta situação está a criar um desgaste físico e emocional incompatível com a nossa função principal – ensinar.
 
15. Este modelo de avaliação consome a saúde, a alma e o tempo dos professores em reuniões e preenchimento de documentos, fazendo com que descurem e lesem aqueles que deveriam estar em primeiro lugar – os alunos.
 
16. Não é credível um modelo de avaliação que é (deveria ser) apoiado pelo chamado Conselho Científico para a Avaliação, cuja coordenadora pediu a aposentação, quando o processo está no início, e que não reúne desde Julho deste ano.
Tendo em conta o atrás exposto, os avaliadores desta escola não reconhecem neste modelo de avaliação qualquer efeito positivo sobre a qualidade da educação e o seu desempenho profissional e solicitam uma reflexão séria e profunda de todo este processo.
 
 
Setúbal, 28 de Outubro de 2008
publicado por Margarida às 22:54

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